Como Me Tornei Ateu

Postado por: Daniela Vitebo Tags: Atea | Categorias: Depoimentos

setembro
5

Meu nome é Daniela, tenho 22 anos, moro no interior de SP, e sou ateu. Só de você ter lido essa pequena frase, já mudou sua opinião sobre mim, posso estar errada, mas muitas das pessoas mudam seu conceito comigo. Como isso é um depoimento de como eu me tornei ateu, vou começar contando da minha infância; Desde pequena, sempre fui muito ligada a Igreja católica, participava fervorosamente de todas as atividades que a paróquia oferecia, e também frequentava a paróquia de outros bairros, enfim. Logo pequena, minha mãe me inscreveu no curso de catequese que a Igreja católica dava, fiz catequese tudo como nos conformes, o passo depois de catequese era a 1º Eucaristia, mas nessa mesma época eu já tinha entrado pra um grupo de coroinha (pessoas que ajudam o padre na hora da missa no altar), fiz a 1º Eucaristia tudo certinho.
Nessa etapa da minha vida eu era cegamente movida pela fé que eu depositava na Igreja católica, eu realmente vivia 24H por dia na Igreja, e eu gostava. Quando completei minha 1º Eucaristia, eu já tinha uns 12 anos, pelas minhas contas, e já era grandinha, comecei a entrar em contradições comigo mesma, como por ex: “por que eu tenho que me confessar para receber o corpo de cristo?” – “por que quando eu nasci, eu já vim pecadora ao mundo?” Eram coisas que eu realmente me indignava e me irritava de certa forma, porque eu sempre perguntava para as pessoas da Igreja, e elas nunca me respondiam.
Quando completei 16 anos, que foi quando eu me crismei (confirmação do batismo segundo a Igreja católica), eu fui convocada pelo pároco da Igreja, para ser catequista, foi então quando eu realmente tive que começar a ler a bíblia por completo, presumo que já li 75% dela. Eu fui catequista durante 6 meses, eu lia a bíblia todos os dias, para que eu tivesse um assunto com os meus alunos, foi então quando eu comecei a ficar perplexa com o que tinha na bíblia. Eu lembro como se fosse hoje, falei pra minha mãe (que sempre me apoiou que eu fosse de dentro da Igreja), ela disse que se eu não estava contente em ser catequista, que fosse a Igreja falar.
Mesmo nunca ter falado pra minha mãe, que eu tinha minhas duvidas e o real motivo de eu não querer ser catequista, eu fui aquele dia a Igreja. Chegando na Igreja, qualquer tipo de assunto que seja relacionado a membros internos da Igreja, no caso eu, tinha que ser tratado diretamente com o padre. Depois de ter conseguido falar com o padre, e falar o motivo de eu não querer atuar mais como catequista, ele me perguntou o por que, super normal, e tranquila eu respondi “eu não me sinto bem passando algo para meus alunos no qual eu mesmo não acredito” ele espantado replicou “mas você não acredita na bíblia? você é da nossa paróquia faz anos, atua como coroinha, e eu iria te encaminhar pra um curso de ministra da Eucaristia” ele surpreso, e de certa forma triste, disse “OK, deus te abençoe”
Foi então que eu contei pra minha mãe que eu tinha me desligado das atividades da igreja, ela indignada veio me fazendo um milhão de perguntas, e eu sempre me esquivando e não respondendo nenhuma.
O tempo foi se passando, eu fui crescendo e minhas duvidas só aumentando. Mudando um pouco o foco, eu também participei da religião/ ceita, não sei como ela se encaixa, do budismo, mas também, não me encontrei lá; quando falo isso, fica parecendo que estou perdida e querendo me achar em alguma religião, mas realmente era o que parecia, eu estava muito curiosa para que alguém respondesse todas as minhas perguntas. Até mesmo depois desses acontecimentos, e sempre frequentava a Igreja, numa boa, sem mágoas com ninguém, mas sabe quando você fica precisando muito de algo, e essa coisa não chega? não sei se fui clara, vou tentar dar um exemplo, o oxigênio, a gente precisa dele pra viver, até porque sem ele, morremos, e era exatamente isso o que eu achava da religião, como pode alguém viver sem religião? não é filho de deus. eu sempre fui muito dedicada a tudo que eu me disponibilizo a fazer, e ser membro da Igreja, foi uma experiência muito boa pra mim, não me arrepende sequer um dia do que eu já fiz para a Igreja, porque tudo o que eu fiz, desde os trabalhos voluntários até ajudar em missas, tudo foi de coração. Com uma certa idade, eu não me lembro agora exatamente qual idade era, mas por volta de uns 18 anos, eu simplesmente comecei a me desapegar de tudo aquilo, religião, comecei a enxergar e finalmente vê, que eu não precisava daquilo para ser uma cidadã de bem, eu sei o que é certo e o que é errado, veio da minha criação, dai é nessas horas que os cristão falam ”mas você foi criada numa doutrina católica” sim, fui criada, mas caráter, não existe igreja nenhuma que implanta isso nas pessoas, religião não determina caráter. Não querendo falar mal de nenhuma religião, nem nada do tipo, mas eu posso falar por mim mesma, que eu me sinto mais dependente de mim mesma depois que me assumir ateu, foi difícil, claro que foi, além de tudo, sou homossexual, tem desgosto maior pra família? Ainda mais pra uma família que foi nascida e criada no cristianismo, eu acho que não. Não os culpo por isso, jamais. Minha família (pai, mãe e irmãos) são as pessoas que eu mais amo nesse mundo, sem sombra de duvidas. Hoje em dia, eu com minha família nos damos muito bem, até porque, não assumi meu ateísmo dentro de casa, minha mãe me deserdaria, mas mesmo ela sendo assim, muito cristã, eu a respeito e amo minha mãe acima de tudo. A primeira pessoa pra quem eu me assumi ser ateu, foi pra minha namorada, que também é cristã, mas ela é uma cristã diferente, tanto é que quando falei pra ela, ela não me julgou, muito menos me agrediu com palavras, pelo contrario, me fez perguntas e aceitou minha condição, e até hoje, quando nos pegamos em meio de conversas desse tipo, ela é sempre bem sensata e gentil comigo. Saindo um pouco do meu relacionamento, eu também nunca cheguei na minha roda de amigos e anunciei ”sou ateu”, eu sempre fui muito ”sigilosa” vamos se dizer assim, eu só falo que sou se me perguntarem, não vejo necessidade de sair gritando pelos cantos que sou ateu. As pessoas tem o costume irônico de me dizer que eu sou muito “boa” pra ser ateu, eu fico pensando comigo mesma, eu não sabia que pra eu ser ateu, eu tinha que ser uma pessoa má. Enfim, dei uma grande resumida, contei meus momentos mais marcantes, e hoje eu me considero uma pessoa totalmente dependente de mim, acredito em mim mesmo, e não culpo ninguém pelos meus atos falhos. Mas e aquelas perguntas que você tinha? foram esclarecidas? eu respondo, foram esquecidas. Eu li bastante livros sobre Ciência e confesso, fiquei fascinada pelo mundo depois que tive um pouco mais noção da Ciência.

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