Defensoria Pública de SP acolhe iniciativa da Atea

A presidência da Atea recebeu ontem um telefonema da coordenação do Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, informando-nos que encaminhará juridicamente a demanda pela remoção de símbolos religiosos de repartições públicas postulada pela Atea. O ofício enviado pela entidade explora tanto a questão da laicidade como o do preconceito contra ateus e pode ser lido aqui.

Datena e os ateus

 No dia 27 de julho, o apresentador José Luís Datena, do programa Brasil Urgente, na Tv Bandeirantes, lançou uma pesada diatribe contra os ateus, no que foi acompanhado por seu colega Márcio Campos. É rotineiro que Datena afirme que criminosos particularmente cruéis “não têm deus no coração”, mas desta vez ele foi mais claro, associando explicitamente os tipos mais vis de criminalidade ao ateísmo. A Atea conseguiu com exclusividade esse material, que disponibilizamos abaixo. Sua reprodução é livre, desde que se registre a fonte: site da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, www.atea.org.br.
A emissora tem uma página de comunicação com os telespectadores. No momento, o envio de mensagens para o Brasil Urgente está desabilitado, mas uma alternativa é dirigir suas reclamações aos programas de jornalismo. Pode-se ainda utilizar sites como o reclameaqui, o Twitter Cala Boca Datena ou o Tag #CalaBocaDatena, também do Twitter.
3’30”
“Meu senhor e minha senhora, vocês que estão me assistindo agora, vocês não acham que isso é pura falta de deus no coração? Isso é coisa do ‘coisa ruim’, que eu não gosto de falar o nome. Mas deus é mais. Porque esses caras vão ser colocados na cadeia. Isso é maldade pura. Podem ter enterrado o homem vivo. Gente, matam pessoas de 70 anos de idade, simplesmente enterram praticamente vivo para tomar o dinheiro do cidadão, um outro mata o menininho de dois anos de idade no colo da mãe. Isso não é coisa do ‘coisa ruim’? Ahn? É o fim do mundo. Por isso nós temos que acreditar em deus porque deus bota o capeta lá pra baixo, velho. Esse é o grande detalhe.”
12’30”
“- Olha, eu continuo dizendo que eu acredito que as pessoas que estão comigo, me assistindo há tanto tempo (12, 13, anos) fazendo esse tipo de jornal, eu acredito que as pessoas comunguem da mesma crença que eu: deus. Não importa se você é judeu, se você é muçulmano, se você é católico, se você é evangélico, vocês acreditam em deus. Eu parto dessa pressuposição. Quem não acredita em deus não precisa me assistir não, gente. Quem é ateu não precisa me assistir, não. Mas se eu fizer uma pesquisa aqui se você acredita em deus ou não é capaz de aparecer gente que não acredita em deus. Porque não é possível, cada caso que eu vejo aqui é gente que não tem limite, é gente que já esqueceu que deus existe, que deus fez o mundo e coordena o mundo. É gente que não acredita no inferno. Esse é o detalhe. Viu, Márcio Campos? É impressionante o caso desse menino de 2 anos que foi fuzilado por um pedreiro que fuzilou e foi dormir. Você prestou atenção nos detalhes do caso da reportagem do Bitencourt? Mataram um velhinho ou não mataram, possivelmente enterraram vivo e tomaram cerveja no local. Esse aí fuzilou um garotinho de dois anos de idade. Isso não tem cabimento, isso é uma barbaridade que não tem tamanho. Não é? Olha o garotinho aí, isso é o fim do mundo. Esse é o garoto que foi fuzilado. Então, ô Márcio Campos, é inadmissível. Você também que é muito católico, não é, não é possível… isso é ausência de deus. Nada justifica um crime como esses, não Márcio?
– É, a ausência de deus causa o quê, Datena? O individualismo, o egoísmo…
– Claro!
– A ganância, né, tudo isso… e outra coisa, quando você fala que esse aposentado pode ter sido enterrado vivo, pode mesmo, porque hoje eu conversei com alguns investigadores e eles me disseram o seguinte: Márcio, tinha um pano de prato na boca dele, então colocaram um pano de prato para ele não gritar, pra não chamar a atenção da vizinhança, mais o saco plástico.Por isso, é muito provável que ele possa realmente ter sido enterrado vivo.
– Só pode ser coisa de gente que não tem deus no coração. De gente que é aliada do capeta. Só pode ser. Faz a pesquisa aí, bota a pesquisa no ar: Você acredita em deus? Sim ou não? Eu tenho certeza que vai aparecer gente que diz não. Quer apostar comigo? Mas a grande maioria vai com a gente, não é? Porque esses crimes só podem ter uma explicação: ausência de deus no coração, não é?”
18’04”
“Olha, no meu modesto ponto de vista, eu sou contra, totalmente contra a pena de morte. Mas em casos como esse, de um sujeito que fuzilou o menino de dois anos de idade, menininho que tinha uma vida inteira pela frente, um sujeito como esses merecia ser no mínimo eletrocutado e eu apertaria o interruptor da cadeira elétrica. Rindo. Rindo. O sujeito que comete um crime desses não merece viver. Aí eu sou a favor da lei de Talião. Um pouco adaptada, né, porque a lei de Talião é você fazer o que o cara fez, entendeu? E não exagerar. Mas esse cara merecia ser eletrocutado, ter uma injeção letal ou coisa parecida. E eu sou contra a pena de morte. Mas num caso como esse… Ah, Datena, mas você está sendo muito agressivo! Agressivo? O cara é reu confesso, imagina se ele mata um filho seu de dois anos de idade, um neto seu de dois anos de idade, qual seria sua posição? Falta de deus no coração! Você quer ver como as pessoas que me seguem, por isso que eu acredito em deus. O meu amigo Edgar Ortiz sempre me diz ‘Deus é maioria, o bem é maioria’, quer ver? Eu fiz a pergunta ‘Você acredita em deus?’ E tem 325 pessoas que não acreditam [2573 acreditam]. Vocês que não acreditam, se vocês quiserem assistir outro canal, não tem problema nenhum. Eu não faço questão NENHUMA de que ateu assista o meu programa. Nenhuma. Agora, quem acredita em deus, seja evangélico, seja muçulmano, seja judeu, seja católico, qualquer religião, entendeu, de quem acredita em deus, continue comigo. Quem não acredita não precisa nem votar, não. Não precisa, de ateu não quero assistindo o meu programa. Ah, mas você não é democrático! Nessa questão, não sou não. O sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites. É por isso que a gente tem esses crimes aí. Agora, vocês que estão do lado de deus, né, como eu, como eu, podiam dar uma lavada nesses caras que não acreditam em deus. Votem em massa ali no 0xx11 8080-1155. Pra provar que o bem ainda é maioria. Mas votem, quero ver trinta mil votos das pessoas que acreditam em deus. Porque não é possível, quem não acredita em deus não tem limite. Não tem limite. Ah, Datena, mas tem pessoas que não acreditam em deus mas são sérias. Até tem. Até tem. Mas eu costumo dizer que quem não acredita em deus não costuma respeitar os limites. Porque se acha o próprio deus. Porque se acha o próprio deus. Esse é o detalhe, entendeu? Então vamos lá. Por favor, você que acredita em deus, dá uma lavada, vota aí, arrebenta com essa votação aí, se não travar essa pesquisa de tanto voto que vai ter. Quero ver chegar a trinta mil votos pra provar que o bem ainda é maioria. O Márcio, o sujeito quando foi pego, deixa direto essa pesquisa aí, que eu quero ver como as pessoas que são crentes, que são tementes a deus, são muito maiores que quem não teme a deus. Mas quero mostrar também que tem gente que não acredita em deus. É por isso que o mundo está assim. Essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo o mais, entendeu como é que é o negócio? São os caras do mal, entendeu? Se bem que tem ateu que não é do mal, mas o sujeito que não respeita os limites de deus é porque… ahn… não sei. Não respeita limite nenhum. Márcio Campos, o sujeito foi pego na casa dele, na maior tranquilidade. ‘Não, não, fui eu mesmo que matei’, pronto e acabou. E quero ver a votação, hein? Por favor, você que acredita, que confia em deus, que acredita no criador, arrebente com esse telefone aí… […] Vamos botar trinta mil votos aí. Eu queria trinta mil votos aqui. Trinta mil votos eu queria. Por favor. Queria trinta mil votos. Eu queria pedir que você mostre que o bem é maioria. Que deus está no nosso coração. E que o mal não vai vencer, não. Apesar dessas barbaridades que nós estamos vendo por aí. Por favor, continuem votando. Não tira não essa pesquisa daí. Márcio Campos.
– Depois que o pedreiro praticamente descarregou a munição do revólver calibre 38, ele voltou para Felicidade, Datena. Isso mesmo. Ironicamente, a casa desse pedreiro fica no jardim felicidade, aqui na zona norte de São Paulo. Estacionou o carro dele dentro da garagem, entrou na sua residência e foi dormir. Assim os policiais militares da força tática encontram o homem que matou uma criança de dois anos, Datena.
–  Eu acho que essa nossa pesquisa ainda tá meio devagar. Eu não sei se as pessoas não tão votando ou nós é que não tamos captando a totalidade dos votos. Tá meio devagar. Já era pra ter batido uns 15, 20 mil votos aí. Já era pra ter batido [placar corrente de 8518 a 649]. Vou manter a pesquisa no ar. Vou manter a pesquisa no ar. Segundo testemunhas, o acusado de matar esse garoto… acusado, não: réu confesso. Chegou atirando pra todos os lados. Ele ficou revoltado depois que a amante avisou que não queria mais nada por causa das constantes brigas. Matou um garotinho de dois anos de idade… que barbaridade. Ô gente… vamos bater 20, 30 mil votos logo aí. Vamos dar uma demonstração de que nós confiamos no criador! Que é isso? Porque o bem é maioria! Eu acredito nisso, eu professo isso, eu acordo de manhã pensando nisso.”
 25’45” [Depois de detalhes sobre o assassinato do garoto de 2 anos]
 “Isso é um exemplo típico de um sujeito que não acredita em deus: matou um menino de dois anos de idade, tentou fuzilar 3 ou 4 pessoas. Mas matou com a maior tranquilidade, quer dizer: não é um sujeito temente a deus. Eu pediria a você do Norte, Nordeste do país, você do centro-oeste brasileiro, você aqui de São Paulo, você do Sul, não importa a religião. Se é evangélico, católico, muçulmano, judeu, não importa. Você que acredita em deus mostra aí pra quem não acredita que deus existe na sua opinião e que deus é maioria. Porque o bem é maioria. Tem quase mil pessoas dizendo que não acreditam em deus [15019 a 843]. Gente, vamos bater os 30 mil votos pra mostrar que este é um país que acredita em deus. E que as pessoas, antes de cometerem uma maldade contra a gente, seja qualquer tipo de maldade, desde a corrupção, que é uma maldade terrível, não é, desde a corrupção, desde os ladrões corruptos que levam dinheiro desse país, colocando as crianças nos semáforos, nas ruas, pedindo esmolas, colocando milhares de pessoas passando fome, desde a corrupção, desde a violência, que grassa por aí, que deus um dia vai acabar com tudo isso. Mas provem isso através da pesquisa, gente. Pediria a vocês que me acompanham há tanto tempo, há tanto tempo, porque hoje, as pessoas, mesmo as que acreditam em deus têm vergonha de dizer ‘eu acredito em deus!’, tendeu? Né? Eu não cobrando nada pra você falar isso não. Pelamordedeus. Eu só tou pedindo que você diga isso. Pra provar pra essas pessoas do mal que deus existe e que se eles não pagarem aqui vão pagar em outro lugar. Vão queimar no fogo do inferno pelo resto da vida. Se esses caras que matam criança de dois anos; estupram, violentam as nossas mulheres; violentam as nossas crianças, estupram, violentam as nossas crianças; batem nas nossas mulheres, batem nas nossas crianças; sequestram, matam… se esses caras não acreditam que existe a lei dos homens, que eles respeitem a lei divina. É por isso que eu quero 39 mil votos ali. E o mais rápido possível. O mais rápido possível. Os telefones estão congestionando. Vamos mostrar que deus é maioria, você do Brasil inteiro. Não importa a sua religião, eu respeito a sua religião. Entendeu? Ó lá! Tem quase mil ateus ali [18427 a 939]. Quase mil ateus. Quase mil ateus, gente que não respeita deus. Entendeu? Provável que entre esses ateus exista gente boa que não acredita em deus, não é? Mas que não é capaz de matar alguém. Mas é provável que tenham bandidos votando até de dentro da cadeia! Entendeu? Né? Vou provar pra esses caras que o bem é maioria. Eu quero ver 30 mil votos ali, no mínimo! 30 mil votos! Se acredita em deus ou não. […] Eu quero provar que a maioria acredita disparadamente em deus. Vamos chegar a 30 mil rapidinho. Ô Márcio? Esse sujeito é um sujeito violento que não acreditava em nada. Esse não acreditava em nada mesmo. Pra fuzilar um menino de dois anos no colo da mãe, não acreditava em absolutamente nada.
– Da maneira como o crime foi cometido, Datena, ele não acreditava mesmo. Tanto é que o delegado, no momento em que fez o flagrante, já o está processando, acusando de homicídio qualificado, ou seja: motivo torpe, sem motivo, motivo absurdo, motivo torpe, fútil, a maneira como ele cometeu esse crime sem a possibilidade de defesa… como é que uma criança vai se defender? Como é que as pessoas que estavam lá iriam se defender? Então ele já está sendo processado, inclusive indiciado por homicídio qualificado, Datena.
– A mãe até tentou se defender pra correr com a criança atrás do carro. Foi perseguida e morta. Mas olha, veja você, viu, Márcio Campos, que mesmo, mesmo com tanta notícia de violência, com tanta notícia ruim, o brasileiro prova de uma forma definitiva, clara, que tem deus no coração. Quem não tem é quem comete esse tipo de crime. Quem mata e enterra pessoas vivas, quem mata criancinha, quem estupra, quem violenta, quem bate nas nossas mulheres… o Brasil de norte a sul, leste a oeste, está provando, pra todo mundo, que acredita no pai, no criador. Já, já, vamos chegar a 30 mil votos de pessoas que acreditam em deus [22358 a 1042]. Sabe? MAs Datena, você está fazendo uma pesquisa religiosa! EU TÔ! PRA MOSTRAR PRA ESSA GENTE DO MAL, e muitos deles, muitos deles, não to dizendo que todos que não acreditam em deus são pessoas capazes de matar porque tem gente que não acredita em deus e não mata nem uma barata, mas que muitos bandidos devem tar votando ali do outro lado, ó. Muitos bandidos devem tar votando ali do outro lado. Tem gente que não é capaz de matar uma barata. Não acredita em deus mas não mata uma barata. Agora, tem muito bandido votando do outro lado [23315 a 1072]. Quase 1070 pessos. Não é? Quem não acredita em deus geralmente não tem limites. Esse sujeito era um cara violento que gostava de confusão e beber. Assim era descrito o pedreiro que matou a criança de dois anos no colo da mãe. Na tela.”
 38’40” [Depois de matéria sobre o atropelamento do filho de Cissa Guimarães.]
“Olha, o sujeito que estava no banco do carona do carro que atropelou e matou o filho de Cissa Guimarães volta à delegacia para prestar novo depoimento. Deixa a pesquisa aí! Das pessoas que acreditam em deus. Porque tem gente que acredita em deus e tem medo de falar. Vamos bater logo 50 mil votos, 40 mil votos, aí. Tem quase 2 mil que não acreditam [36705 a 1471]. Entendeu? Quase 2 mil que não acreditam. Eu respeito até gente que não acredita em deus e que é gente de bem. Tem gente de bem que não acredita em deus. Que acredita que ele mesmo seja deus. Entendeu? Mas que não é capaz de matar ninguém. Que não comete nenhuma atrocidade. Mas os bandidos que matam, mas que matam com prazer, esses não acreditam em deus também. Entendeu? Então vamos provar que o bem é maioria e que deus existe. Vá por favor, 0xx11 6060-1155, quase 40 mil pessoas dizendo que acreditam em deus, quase duas mil dizendo que não acreditam. Ah, Datena, eu sou ateu mas eu nunca matei ninguém. É. Se você não acredita em deus, você acredita em quem? Você mesmo? Se você não acredita em deus, nunca matou ninguém, nunca fez mal pra ninguém, muito bem, parabéns. Mas quem mata com crueldade, quem enterra vivo, quem estupra, quem violenta criança, também não acredita em deus. Não acredita. Pode até falar que acredita mas não acredita. Entendeu? Essa é a história. Agora, apesar de todo esse quadro negativo que nós enfrentamos, quase 40 mil pessoas tiveram coragem de vir a público [38883 a 1549] e dizer ‘eu acredito em deus. Eu tenho deus no meu coração e acho que esse país vai virar e que esse mundo vai virar’. Mas precisa ter vontade de falar que acredita em deus abertamente. Quase 40 mil pessoas. Quase 40 mil pessoas. Vamos chegar em 50 mil já, já.”
42’09”
“Deixa a pesquisa aí. Tão me pedindo pra tirar a pesquisa POR QUÊ? Eu quero chegar a 50 mil votos de pessoas que acreditam em deus [42430 a 1679]. Porque mesmo nessa situação que nós vivemos no Brasil e no mundo, o bem é maioria, isso que eu quero mostrar, mais nada. Que o bem é maioria. O bem é maioria.”
 45’59”
“Olha, as pessoas estão me perguntando, quem está ligando agora aqui, por que que eu tô fazendo essa pesquisa, ‘você acredita em deus’. Porque eu vejo tanta barbaridade há tanto tempo que eu acredito que a maior parte dessa barbaridade seja realmente a ausência de deus no coração. Isso eu acredito mesmo, professo isso. Falo isso e vivo isso. Entendeu? Mas tem gente que já me ligou e disse assim: Datena, eu nunca acredito em deus, nunca matei, nunca roubei, nunca fiz mal pra ninguém. Tudo bem. Eu até respeito essa posição. Mas a maioria de quem mata, de quem estupra, de quem violenta, de quem comete crimes bárbaros, já esqueceu de deus há muito tempo. Há muito tempo. E até nós, que permitimos que essas pessoas maldosas façam isso, acreditamos em deus mas temos vergonha de falar que acreditamos em deus. Eu não, eu sempre falei. Mas muita gente tem. Tem ou não tem? Tem ou não tem? Pensa bem se não tem. Não é? E pra você que é gente boa, porque prum bandido, prum canalha que não acredita em deus e mata, é capaz de matar um menino de dois anos de idade, pra esse eu não vou fazer nenhuma pergunta, mas pra você que é gente de bem e que não acredita em deus, que acha que o mundo surgiu do nada, me explique o nada absoluto. Vamos voltar até onde a ciência explica que o mundo começou a existir, que é o big bang. Aquela explosão deu origem a uma nuvem de poeira e aí os planetas se formaram, o universo está em expansão, agora vamos voltar para o começo, que é o que o mundo vai fazer – vai voltar pro começo, um dia vai voltar ao começo – me explique o nada absoluto. O que é que existia antes dessa primeira explicação que a ciência dá? Tente explicar pra mim, você que não acredita em deus, o que que é o nada. Só de você já pensar no nada e explicar ou tentar explicar o nada já é alguma coisa. Por isso que é impossível que deus não exista. Sabe? Por isso que é impossível, é claramente impossível que deus não exista. Não tem essa possibilidade na minha concepção e de bilhões de pessoas. Não é? Isso eu tô dizendo pro cara que não acredita em deus e que nunca matou, que nunca roubou, nunca fez mal a ninguém. Porque a maioria que faz isso que eu falei realmente não acredita em deus. Tá pouco se lixando. Agora tá provado que deus é maioria, disparado. 50 mil [50183 a 2086]. Pode até parar a pesquisa que se quiser, vai a 100 mil. Mas vamos parar por aí porque deus deu de goleada. Deus deu de goleada. Graças a deus. Deu de goleada. Obrigado a vocês que me acompanham a tanto tempo pra provar isso, que apesar de tudo que acontece nesse país, as pessoas ainda continuam acreditando em deus.”

Nota sobre declarações do vice de Serra a respeito do ateísmo de Dilma

Candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ) fez a seguinte afirmação em seu twitter: “Para uma ateia, deve ser duro ter um adversário que cai do céu”. O texto foi uma resposta à declaração de Dilma Roussef, em comício realizado sexta-feira no Rio de Janeiro, de que seu vice “não caiu do céu”. A candidata vem se identificando como católica, mas em 2007 ela disse não ter certeza sobre a existência de deus: “Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?” (Informações extraídas da reportagem da Folha de S. Paulo).

Segundo matéria do G1, “A afirmação de Indio foi criticada por leitores e o vice de Serra explicou que respeita ‘profundamente todas as crenças e opções’. Na mesma postagem, o candidato a vice colocou em dúvida o posicionamento religioso da petista. ‘Ela lá é que dissimula sobre religião.’ Perguntado por outro internauta se o correto era ter religião, o deputado fez nova crítica à adversária. ‘O correto é assumir o que você é. Ela nem consegue olhar nos olhos do eleitor. Esfínge (sic) do pau oco.'”Em vista disso, a Atea publica a seguinte NOTA:

Embora as recentes declarações do deputado Índio da Costa não sejam explícitas em atribuir característica negativas a alguém em face de seu suposto ateísmo (ou agnosticismo), fica claro que o contexto do seu infeliz jogo de palavras é de uma associação negativa. Tentemos transpor a provocação a um outro grupo qualquer: “para um judeu, deve ser duro ter um adversário chamado Messias”; “para um negro, deve ser duro ir a um restaurante chamado Casa Grande”; “para um muçulmano, deve ser duro ter um adversário fazendo cruzadas”. Não importa qual seja a referência, o uso de uma frase jocosa em associação ao ateísmo (ou à falta dele) de qualquer pessoa é, no mínimo, uma escolha de péssimo gosto. Associar crenças ou descrenças pessoais a qualidades negativas, é uma atitude que está no limite do preconceito.

Lamentamos o fato de que nem todos sejam sinceros a respeito de suas crenças religiosas, e um dos objetivos da Atea é fazer com que essa atitude não seja mais necessária. No entanto, reconhecemos que “ficar no armário” é, para muitos descrentes, a opção que sobra para sobreviver em uma sociedade com níveis de preconceito estratosféricos contra ateus. Estimulamos a todos os ateus que falem abertamente de sua posição, mas não podemos depositar nos ombros de cada um dos 2% de ateus no país o peso de lutar pessoalmente e abertamente contra o preconceito secular que sofremos de grande parte dos demais 98%, à custa de suas vidas pessoais e profissionais.

O deputado também erra repetindo o clichê de que respeita “todas as crenças e opções”, talvez deixando o ateísmo na categoria de “opções”. Ideias, propostas e crenças não têm direitos, não precisam e não merecem respeito. Pessoas precisam e merecem respeito. Venham de onde vierem, as boas ideias e crenças devem ser elogiadas, e as más, criticadas. A verdade não precisa de respeito, apenas deve subsistir devido ao seu próprio mérito. Essa regra vale inclusive para o ateísmo e para as crenças religiosas. E o respeito aos indivíduos inclui o respeito à maneira como eles lidam com a exposição de suas posições pessoais a uma sociedade que os vê como a encarnação do mal. A liberdade de consciência e crença inclui o direito de não revelar suas próprias convicções, que não deveriam ser assunto de campanha em um Estado laico. Se o deputado quer respeitar os ateus (e não o ateísmo), deve respeitar sua opção a respeito de como se identificam publicamente.

Por fim, a menos que se creia que o deputado é extremamente ingênuo e mal informado, ele sabe que existe uma forte rejeição do eleitorado a candidatos ateus, conforme já revelou pesquisa da Veja/CNT/Sensus em 2007. Em face desse preconceito, o que o candidato faz não é tentar acabar com ele ou deplorar sua existência, mas reforçá-lo, e ainda explorar sua existência em proveito próprio, o que consideramos sinal de padrões éticos incompatíveis com a decência básica de qualquer cidadão, quanto mais a de um postulante ao cargo de vice-presidente da República.

Em vista disso, a Atea enviará suas considerações à coordenação da campanha de Serra, esperando uma retratação, e ao mesmo tempo estudará as ações legais cabíveis.

Ainda a capela do HC

O colunista Percival Puggina publicou o artigo A inconstitucionalidade da capelinha no jornal Zero Hora. Sugerimos enfaticamente a todos que enviem suas cartas ao jornal com nome, endereço e telefone através do endereço leitor@zerohora.com.br.



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